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      Caio Marcolini divide seu tempo entre a escultura e a carreira como designer de joias. Esta última lhe conferiu suas habilidades como artesão e ourives, que transparecem em suas obras. No entanto, arte contemporânea requer mais que técnica, e sua produção escultórica é informada pela história da arte e procura estabelecer um diálogo conceitual com artistas como Ruth Asawa, Tunga, Ernesto Neto e Lygia Clark, entre outros.

    Formalmente, as obras são baseadas em tramas de metal construídas pelo artista, que às vezes são banhadas em cobre, níquel, podendo conferir distintos acabamentos às diversas partes que compõem cada peça. O material, maleável, é então utilizado para formar sistemas que se assemelham a rizomas e a outras estruturas orgânicas, como os complexos labirintos do interior de um formigueiro. Por sua própria natureza de quase bordado, a trama de metal remete assemelha-se a um emaranhado de linhas, e as esculturas parecem por vezes criar um lugar fronteiriço entre o bi e o tridimensional, como se a linha do desenho tivesse se descolado do plano e saltado para o espaço. As diferentes modalidades de apresentação das obras – às vezes quimeras que saem da parede ou do chão, às vezes esculturas autoportantes – ressalta a natureza ambígua e mutável das obras.

   Caio Marcolini é formado em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e técnico em Ourivesaria pelo SENAI. Recentemente, participou de exposições coletivas como a terceira edição do Festival de Esculturas do Rio (Centro Cultural dos Correios, Rio de Janeiro, 2017); “Vinte e Três: Joalharia Contemporânea na Ibero-América” (Sociedade Nacional de Belas Artes Portugal, Lisboa, 2017); 42° Salão de Arte de Ribeirão Preto (2017); 45° Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto (Santo André, SP, 2017); 5° SOAL – Salão de Outono da América Latina (Memorial da América Latina, São Paulo, 2017); e “Através da Trama” (HAG – Home Art Gallery, São Paulo, 2016).

 

Caroline Carrion - crítica de arte e curadora independente, 2018 

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